Resposta ao Sr. Celso Carvalho e ao Sr. Manuel Lima
Anderson Paes
Meus caros olhem ao seu redor. Vocês conseguem enxergar o que?
Eu consigo enxergar um sistema de saúde falido, aonde as grávidas são atendidas no hospital pra fazer o pré-natal e parir, por enfermeiras, pois a médica está muito ocupada em seu consultório particular. Se você estiver com dengue, tem quem passar mal cinco dias, pra poder você ter direito de fazer o exame pra vc ver o que tem.
Procure ver a que pé isto está!
Na eleição pra vereador no início do ano, conseguiram colocar como presidente o tal Cleverson, isso após uma bela virada de mesa. E o pior, a votação nem na Câmara foi, mas foi sim na mansão do Prefeito de vocês, o Henrique Costa. Pelo jeito, isso orgulha vocês, não é?
Já eu, digo: Deus, eles não sabem o que fazem! Ignorância e burrice não é terminal! Eles sobreviverão!
No âmbito da Educação, você já se perguntou por que as aulas em vários colégios do município, somente começou neste final de março? Hum, vc não sabia, vc não se interessa?
Pois eu lhe digo: Quem sofre com isso, são os jovens de Juruti. Responda-me: Será que conseguirão competir com alunos de outras cidades num vestibular? Não será por essa e outras, que Empresas que chegam aqui, preferem contratar pessoas de fora, ao invés de jovens daqui? Se não houver solução (mudança em 2012) o certificado de 2º grau daqui, terá o mesmo peso que o certificado de 1º grau de uma Escola da capital. Parece demagogia barata, mas somente é a verdade.
Na área de Segurança Pública meus caros, proporcionalmente agora muito mais crimes ocorrem na cidade, do que na época do “auge” de Empresas em Juruti (2007 e 2008).
Precise da Delegacia local pra resolver algo. Você sentirá na pele sobre o que falo.
Na Infraestrutura, acho que você já percebeu que onde passou a tal da drenagem realizada pela Prefeitura, o asfalto, terra e tudo mais está cedendo. Lembro a você que o retrabalho pra conserto disso é por conta de vocês, de mim, da população de Juruti, pois nós pagaremos NOVAMENTE pra que isso seja visto. Você pelo jeito se orgulha disso também, não é?
Pois pra mim, isso é um crime contra o cofre público do Município, contra o povo de Juruti.
E o pior, essa tal drenagem do jeito que vai, nunca vai funcionar, e são vocês dois um dos maiores culpados por tudo isso! Querem um conselho? Saibam votar, saibam cobrar!
Vocês são bons de matemática? Se não forem peguem a calculadora ai! Agora somem um a um, todos os salários recebidos por seus vereadores, secretários e pelo Prefeito. No final da conta, veja se com o que eles receberam, daria pra comprar tudo o que eles têm hoje em dia de bens. Se em suas contas não deu pra comprar, é porque tem alguma coisa errada, não?
Comece a pensar, raciocinar, ponderar! Você não vai pagar nada por isso, de verdade! Pode confiar!
Deus deu a ignorância, mas também deu a capacidade de ler e aprender. Então peguem um livro, jornais e façam melhor, acessem: http://www.alcoa.com/brazil/pt/custom_page/environment_juruti_agenda.asp
Após terminarem de ler, com certeza vocês vão pensar assim: Caracas, e o que a Prefeitura anda fazendo? O que ela faz com o dinheiro dos repasses? Ela ainda conseguiu atrasar o pagamento do funcionalismo no final do ano 2010? Caracas!!
Terça-feira 19 de outubro
Potencial terapêutico dos animais tóxicos da Amazônia ainda é pouco estudado
Lenne Santos
Apesar da grande diversidade de animais presentes nos rios de água doce que produzem toxinas com potencial terapêutico e biotecnológico, praticamente não existem estudos sobre o tema na região Amazônica. Essa foi à conclusão do pesquisador Prof. Dr. Joacir Stolarz de Oliveira, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), que proferiu palestra sobre toxinas de animais aquáticos com potencial terapêutico e biotecnológico, durante o V Encontro Butantan Amazônia, que ocorre nos municípios de Santarém e de Belterra, no Oeste do Pará, até o dia 15 de outubro.
Ele afirmou que o Instituto Butantan já iniciou estudos sobre tema. “Porém ainda há muito o que se fazer no ambiente de água doce da Amazônia. Temos aqui um potencial enorme ainda não estudado sobre as toxinas de animais aquáticos ”, afirmou.
Na Amazônia, é comum a incidência de acidentes causados pela ferroada de arraias ou pelo contato com esponjas aquáticas, e ambos possuem substâncias altamente tóxicas. “Poderíamos desenvolver um antídoto para combater os sintomas da ferroada de arraia que provoca dor intensa interna, hemorragias e até necroses”.
Durante quase duas horas, Storlarz destacou os estudos que estão sendo feitos atualmente para utilização medicamentosa de substâncias feitas a partir da toxina de animais marinhos. O tema é pesquisado atualmente por empresas americanas que já começaram a apresentar resultados. Esses medicamentos estão sendo utilizados no combate a doenças como AIDS e dores crônicas causadas pelo câncer.
“Toda toxina é um produto natural, mas nem todo produto natural é uma toxina”, sentenciou o pesquisador. Ele destacou os fatores responsáveis pelo envenenamento – causado pela ingestão de alimentos – ou acidentes ocasionados por ferroadas de animais marinhos ou aquáticos. Profissionais como pescadores, mergulhadores, agricultores ribeirinhos estão sujeitos a essas ocorrências, como também qualquer pessoa que costuma fazer refeições fora de casa ou tenham lazer em igarapés ou praias. Porém, essas substâncias presentes em moluscos, animais peçonhentos ou venenosos podem ser utilizadas como eficientes medicamentos, apesar do dano que causam à saúde, num primeiro contato.
Então como se proteger de acidentes ou desse tipo de envenenamento? Para o pesquisador é imprescindível a criação de uma política nacional do monitoramento do pescado no Brasil. “Aqui, a exemplo de outros países, também ocorrem envenenamentos pela ingestão de pescados com alto teor tóxico; porém, na maioria das vezes, esses envenenamentos são tratados como intoxicação alimentar”. Citou a toxina botulínica, que pode estar presente nos alimentos embutidos. “Quanto aos embutidos, uma simples fervura antes do consumo é eficiente”.
A programação do V Encontro Butantan na Amazônia é composta por um workshop e três simpósios realizados simultaneamente nos espaços da UFOPA, Faculdades Integradas do Tapajós e Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Domingo 05 de setembro
A mídia é o grande prato do ‘restaurante canibal’
Não é a primeira vez que importantes meios de comunicação metem o pé na jaca. A revista Veja, em abril de 1983, publicou matéria anunciando a fusão da carne de boi com o tomate, depois de cair em uma brincadeira da revista inglesa New Science, preparada para celebrar o dia da mentira. O caso Boimate, como é conhecido, entrou para a mitologia jornalística como a maior “barriga” (notícia inverídica) de todos os tempos. O caso do "restaurante canibal" em Rondônia tem grandes chances de roubar-lhe o lugar no pódio.
Breno Altman - Opera Mundi
O trabalho eficaz de dois jornalistas, Pedro Aguiar e Laisa Beatris, profissionais da redação de Opera Mundi, trouxe ontem (26/08) a público caso vergonhoso de colonialismo cultural e abuso da boa-fé dos leitores. A história, que pode ser lida no artigo “Mídia internacional ignora indícios de fraude e publica notícia sobre restaurante canibal”, revela o estado de indigência que afeta parte da imprensa mundial.
Tudo começou quando um político alemão denunciou, ao diário sensacionalista Bild, a existência de restaurante brasileiro, chamado Flimé, no estado de Rondônia, que oferecia carne humana e estaria planejando abrir filial em Berlim. O vereador Michael Braun, dirigente local da União Cristão-Democrática, alegando ter recebido informação de eleitores, protestou contra as intenções do famigerado estabelecimento.
A origem primária das denúncias, logo se soube, estaria em vídeo e página divulgados pela internet. Os autores, provavelmente de nacionalidade portuguesa, talvez na intenção de se vingar das piadas contra seus patrícios, resolveram armar pegadinha contra os brasileiros. No jargão da rede, chama-se essa informação forjada de hoax.
O mais incrível é que a existência do restaurante canibal imediatamente se espalhou entre diversas agências e veículos do planeta. O inglês The Guardian, a espanhola Efe, a italiana Ansa, a alemã Der Spiegel e o português Expresso estão entre as publicações que caíram no engodo. Também comprou gato por lebre a brasileira Folha.com. A reportagem de Opera Mundi provou que não há canibalismo nem restaurante algum.
Aparentemente nenhuma das redações enroladas pelo conto dos portugueses se deu ao trabalho de apurar história tão escabrosa. O restaurante não foi checado. Não se analisou com rigor a gravação que circulou no You Tube. A página web que anunciava as estranhas iguarias tampouco recebeu o devido escrutínio.
Não é a primeira vez que importantes meios de comunicação metem o pé na jaca. A revista Veja, em abril de 1983, publicou matéria anunciando a fusão da carne de boi com o tomate, depois de cair em uma brincadeira da revista inglesa New Science, preparada para celebrar o dia da mentira. O caso Boimate, como é conhecido, entrou para a mitologia jornalística como a maior “barriga” (notícia inverídica) de todos os tempos. O affair Flimé tem grandes chances de roubar-lhe o lugar no pódio.
O problema não é apenas a preguiça dos jornalistas que deram ares de verdade à denúncia fajuta. A substituição da informação pelo espetáculo, de fato, tem poder tóxico sobre a inteligência da imprensa e contamina sua disposição de pegar no batente. Mas, é evidente, nesta situação também jogou peso decisivo a arrogância colonial dos brancos de olhos azuis. Canibalismo no Brasil? Terceiro Mundo? Terra de índios, negros e mulatos? Pau na maquina, que se não for verdadeiro, ao menos está bem contado.
A barrigada, que deveria provocar indignação da mídia brasileira e resposta à altura do governo, porque difama a imagem internacional do país, diz muito a respeito de como funcionam os monopólios mundiais da comunicação. Seus donos e operadores, de tão imbuídos do papel de vanguarda cultural do colonialismo, não perdem sequer uma história da carochinha para demonstrar a suposta primazia civilizatória das nações ricas sobre os povos do sul.
O fim do Jornal do Brasil impresso e o papel do jornalismo público
O jornalismo de mercado, com o fim do JB impresso, revela, uma vez mais, sua incapacidade de dar solução para o problema da dívida informativo-cultural e para permitir, finalmente, que o povo brasileiro tenha acesso a uma tecnologia do século XVI, a imprensa de Guttemberg. Se estamos a caminho de superar a miséria absoluta, também é chegada a hora - sem confrontar com as modalidades de informação na internet, mas complementando-as - de também superarmos a indigência na leitura de jornal, a miséria informativo-cultural. O artigo é de Beto Almeida.
Beto Almeida (*)
Primeiro foi o fechamento da Tribuna da Imprensa, logo seguido pelo fechamento da Gazeta Mercantil. Agora, o curso de agonia da imprensa comercial anuncia o fim do Jornal do Brasil em sua versão impressa. Junto dele está a vertiginosa queda de tiragem dos jornais que resistem, evidentemente acompanhada da clamorosa queda de sua credibilidade. Este talvez seja mais um alerta e mais uma oportunidade para discutir os limites quase que intransponíveis para o jornalismo no modelo comercial e a necessidade de insistir e estimular a conscientização e as iniciativas para a construção de um jornalismo público.. Indo direto ao tema: é bem provável que o presidente Lula tenha um papel histórico também para romper os tabus e preconceitos que impedem os brasileiros de ter um jornal de missão pública, nacionalista, popular.
Um jornal centenário, sonho de uma geração de jornalistas, inovador em forma e conteúdo, o Jornal do Brasil, que já vinha definhando, como muitos outros diários, agora anuncia que deixará as bancas. Não estará mais nas praias, nos botequins, nos escritórios, nos ônibus, nas universidades, nem mesmo nas feiras para embrulhar peixe.
Durante anos registrou dificuldades financeiras. Arrastou-se endividado em bancos públicos, muito embora sua linha editorial, como de resto de toda a mídia, hostil ao papel do estado na economia. Mas, não quando os recursos públicos salvam a crise.
A dívida informativo-cultural
Até quando vamos assistir este definhamento sem abrir um grande debate nacional sobre o futuro da imprensa no Brasil, sobre a dívida informativo-cultural acumulada, sobre a proibição, na prática, da leitura de jornal no Brasil pelo o povo? Até quando os jornalistas vão superar a discussão estreita que vem fazendo acerca da titularidade e diploma desvinculada da extinção concreta e incontornável de postos de trabalho e da proibição da leitura de jornal pelo povo? Multiplicaram-se as faculdades de jornalismo e reduzem-se os jornais e os postos de trabalho. Paradoxo! Tínhamos um exército de desempregados diplomados. Mesmo que o diploma volte a ser obrigatório, teremos ainda mais desempregados e menos lugar para trabalhar. E o povo sem ler jornal!
Enquanto a Argentina tem o jornal Página 12, o México tem o La Jornada, a Bolívia tem o jornal Cambio - criado há apenas 8 meses e já é líder de vendas - a Venezuela tem o Correio do Orenoco, todos fazendo o contraponto da linha editorial da imprensa oligárquica, teleguiada pelos interesses estrangeiros, no Brasil temos o domínio completo de uma imprensa anti-nacionalista e anti-popular. Não por acaso, com hostilidade unânime à candidata de Lula. São estes jornais e revistas contra a nacionalização do petróleo, criticam a reconstrução da indústria naval, exasperam-se com a valorização do salário mínimo, insistem na tese conservadora da disciplina fiscal, da austeridade, do corte de gastos, quando, evidentemente, o país precisa aumentar decididamente os investimentos públicos para dar sustentação ao crescimento econômico, que lhe permita reduzir as disparidades internas e as vulnerabilidades externas. Esta imprensa chega ao ponto de publicar documentação falsificada sobre uma candidata à presidência, a colocá-la em uma charge como personagem da prostituição (nenhuma ofensa deste escriba às trabalhadoras do sexo), mas, no seu discurso de falsa ética e moral, esta imprensa esquece que em suas páginas de classificados divulga, portanto associa-se comercialmente, deprimente atividade do comércio de sexo.
Última Hora e Le Monde
É hora de recorrer mais uma vez à história para repararmos como nascem e como morrem os jornais. Aqui vemos o JB definhar depois de passar a ser controlado por empresários favorecidos pela privatização. Estão perdendo leitores, mesmo quando há avidez para a leitura. Na França, o Le Monde nasceu após a Segunda Guerra estimulado por De Gaule, como parte de uma visão nacional.. Aqui no Brasil, percebendo a hostilidade unânime de uma imprensa movida por uma cruzada anti-nacional, o Presidente Getúlio Vargas também estimulou o nascimento do jornal Última Hora, popular, nacionalista, que informava sobre os temas de interesse da classe trabalhadora, criando um paradigma jornalístico.
Como praticamente todos os órgãos de imprensa, o Última Hora também recebeu créditos de bancos públicos. Por acaso o Jornal do Brasil nunca os recebeu? Ou O Globo? Ou a TV Globo, que nasceu de modo irregular, a partir de operação ilegal denunciada vastamente na CPI do Grupo Time-Life, também não recebeu? Por quantos anos a TV Globo foi favorecida por taxa subsidiada da Embratel para uso de satélites?
Deixemos de hipocrisia: os grandes grupos de mídia só se transformaram em gigantescos conglomerados em razão de inescrupuloso favorecimento creditício estatal e não em função de sua competência empresarial. Para monopolizar audiência a TV Globo chegou a atrasar em 9 anos a introdução do aparelho de controle remoto no Brasil, conforme denúncia do ex-Ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira.
Fundação para o Jornalismo Público
Sustentamos que é chegada a hora para que seja levada ao presidente Lula - esta é afinal uma discussão estratégica de nação, não de mercado - numa proposta de criação de uma Fundação para o Jornalismo Público, destinada a tornar a leitura de jornal no Brasil um hábito democrático, popular, acessível, viabilizando a pluralidade e a diversidade informativas, cada vez mais ameaçadas quanto mais se fecham jornais. E para sustentá-la muitas alternativas podem ser discutidas, entre elas aquela mais utilizada pelos grupos de mídia que são sustentados em boa medida pelas verbas publicitárias do Estado ao qual tanto agridem. Ou contando com a participação de Fundos de empresas públicas, muitos deles com altíssima rentabilidade, que bem poderiam ter uma participação ativa nesta Fundação de natureza pública, destinada a cumprir aquilo que embora expresso na Constituição, está muito longe de tornar-se realidade no Brasil: a informação é um direito de todos os cidadãos.
O fim do JB no papel e o papel de Lula
O presidente Lula já criou a Empresa Brasil de Comunicação, cumprindo com disposto constitucional que, no seu artigo 223, estabelece que a comunicação deve ser complementar entre os sistemas público, estatal e privado. A TV Brasil vem fazendo esforços importantes para adquirir visibilidade nacional, audiência e qualidade informativo-cultural. E tem surpreendido positivamente, muito embora haja muito por fazer ainda.
Mas, na área do jornalismo, o que se nota é redução assustadora do número de jornais, da tiragem de jornais, de sua credibilidade, ao lado de uma incompreensível multiplicação de faculdades de jornalismo, uma verdadeira indústria de canudos, sem que se possa garantir aos formados, algum dia, a oportunidade de trabalhar naquilo em que estudaram. Propaganda enganosa?
O jornalismo de mercado, com o fim do JB impresso, revela, uma vez mais, sua incapacidade de dar solução para o problema da dívida informativo-cultural e para permitir, finalmente, que o povo brasileiro tenha acesso a uma tecnologia do século XVI, a imprensa de Guttemberg. Se estamos a caminho de superar a miséria absoluta, também é chegada a hora - sem confrontar com as modalidades de informação na internet, mas complementando-as - de também superarmos a indigência na leitura de jornal, a miséria informativo-cultural.
E o presidente Lula, por sua trajetória, pelas tantas chicotadas que tomou das mais maledicentes formas de preconceitos desta imprensa oligárquica, é o mais credenciado para encorajar e estimular, não uma revanche, mas uma solução democrática para que os brasileiros possam, finalmente, não apenas alimentar-se com regularidade, como crescentemente ocorre, mas também ter acesso a jornal para a leitura cidadã e não apenas para forrar o chão, como na música de Noel.
(*) Beto Almeida é Diretor da Telesur

